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madrugada fria de neblina

Madrugada fria de neblina... Limiar da noite, prenúncio de manhã. Descansa o orvalho em meu corpo despido, perseguido pelo teu olhar desperto. Repousamos num Tempo que não existe cobertos pela lembrança da noite e a turquesa luz invade a nossa cama de silêncio. Conseguiremos sobreviver à manhã? Angelina Botelho momentos

cabelos verdes de algas

Cabelos verdes de Algas pele de corais de Marfim voz de esperanças soltas de um corpo doce de Cetim. Sussurras-me ao ouvido atento uma vaga Promessa quente e a Promessa sabe-me a Vento azul de Oceano dolente. Promessa de Ar; Promessa de Mar. Criança a sorrir; Criança a brincar. Cabelos verdes de Algas de um corpo doce de Marfim, por entre a brisa saltas Segredos soltos de Cetim. Angelina Botelho in momentos

mar

Sobre o dorso de ondas verdes espuma  branca e fria desliza, rebola, na areia dourada se derrama. Espuma gélida em areia dorida, reclama, grita dores gemidas escondidas, lágrimas outrora perdidas em madrugadas frias de neblina. Angelina Botelho in momentos

suspiros de vento

Suspiros de vento no cabelo, ternuras secretas nos lábios. Trazes a luz do sol da manhã no olhar, quando de mim te aproximas. Angelina Botelho in momentos

verso vago

Um verso vago vindo vem desvirginando a neblina, inconstante, impreciso, timidamente pairando sobre o Vazio. Lhe sinto a inconsistente leveza, a arquitetura de um aroma morno de Sentido. No espaço o defino, o critico. Um verso vago vindo vem. Angelina Botelho in momentos a partir de Um Verso Vem de Luis Adriano Carlos

pela cidade

Pela cidade, procurando a tua sombra, me perco. Sonhos de campos de lírios, Desejos quentes - cozes-me com beijos as feridas do coração rasgado pela ausência. Busco alimento na recordação de uma noite amena. Império de Sol, Hino de Ternura - invoco deuses e mitos antigos pressentindo teu olhar refletido na lua e, assim, sei que me trazes dentro de ti.

bebo profundidade nas tuas Palavras

Bebo profundidade nas tuas Palavras sôfrega de possuir o oceano das tuas Palavras. Pressinto sensualidade em teu gesto inocente e desejo o ardor na nuca de um Fogo que não será. Olho-te com a insistência de um miserável, pretendendo absorver a tua existência. Nego a incongruência de uma vida cheia de vazio e, em tragos largos, bebo profundidade nas tuas Palavras procurando uma completude perdida. Angelina Botelho